Relatório alerta para repressão policial e aumento da extrema-direita em Portugal

Relatório alerta para repressão policial e aumento da extrema-direita em Portugal

Violações da privacidade dos dados, repressão policial abusiva de protestos pacíficos, falta de financiamento das organizações e aumento da extrema-direita são alguns dos alertas de um relatório sobre o espaço público português divulgado esta quarta-feira.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Fórum Cívico Europeu

O relatório, promovido pelo Fórum Cívico Europeu e o Observatório do Espaço Cívico e, no capítulo sobre Portugal, pela Academia Cidadã, considera o espaço público português aberto, mas alerta contra a "normalização de narrativas xenófobas", particularmente contra imigrantes, que facilitam "o aumento dos crimes de ódio" e "um ambiente hostil à defesa dos direitos humanos".

Apesar da boa classificação em comparação com outros países, João Labrincha disse à Antena 1 que se "verificou uma deterioração substancial das liberdades cívicas no país", lê-se no relatório, salientando que, "na prática, o espaço cívico em Portugal continuou a encolher ao longo de 2025."

"A liberdade de associação é cada vez mais limitada por reformas restritivas em matéria de migração e nacionalidade, pela disfunção administrativa, pela insegurança sistémica do financiamento e pelas pressões decorrentes da gentrificação e da especulação imobiliária, que estão a forçar organizações culturais e comunitárias a encerrar", pode ler-se.

"Estas barreiras estruturais afetam de forma desproporcional os migrantes, as comunidades racializadas, os grupos de base e as organizações que trabalham em estreita colaboração com pessoas vulneráveis", refere o documento.Extrema-direita
Por outro lado, assiste-se à "crescente influência da extrema-direita, campanhas de desinformação e aumento dos crimes de ódio, enfraquecendo a ação cívica, a organização coletiva, a responsabilização do Estado e a participação pública".

O relatório nota também o crescimento da extrema-direita e criticou a remoção do capítulo "Extremismo e Ameaças Híbridas" do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), por parte das autoridades.

Pede mais atenção à "presença de elementos neonazis no seio das forças de segurança", porque constituem "uma grave ameaça ao Estado de direito".

Sobre o Chega, a sua "ascensão eleitoral foi acompanhada por uma retórica sobre a migração descontrolada e por discursos xenófobos, racistas e homofóbicos difundidos online", que tem eco na Assembleia da República, com "impunidade parlamentar resultante da invocação da 'liberdade de expressão' pelo presidente" do parlamento, que representa um "escudo institucional para a radicalização do discurso público", alerta o relatório.

"Devido ao seu crescimento, o Chega tem agora o poder de moldar a agenda mediática, definir os debates e condicionar as negociações parlamentares", pelo que "o discurso extremista já não é marginal, tendo-se tornado uma voz institucional com tempo de antena, recursos públicos e proteção, como a imunidade".

Nas suas recomendações, o relatório defende a criação de "um mecanismo independente para prevenir e combater o racismo institucional e o uso ilegal da força" pelas forças de segurança, bem como de um "regime de financiamento de base estável" para as organizações civis.
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